Cartas à mão para missionária revelam confiança e relação com criminosos de alta periculosidade em MT
15/09/2026
(Foto: Reprodução) Vida dupla do crime
Cartas enviadas por presos a missionária Rhavenna Barcelos, em Mato Grosso, são apontadas como um dos elementos que mostram a relação de confiança que criminosos ligados ao Comando Vermelho tinha nela e na família. Na sexta-feira (11), Rhavenna, a mãe Orminda Carlos de Barcelos, as irmãs, o namorado e um primo foram denunciados pelo MP por esquema com a facção.
De acordo com a denúncia, a família utilizava visitas religiosas a presídios para manter contato com diferentes detentos. A investigação revelou que a missionária também mantinha relacionamentos amorosos com dois criminosos apontados como chefes do Comando Vermelho.
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Conforme o processo, três correspondências foram encontradas nas extrações de dados da família e mostram presos identificados como Júlio, Júnior e Escobar chamando Orminda de “mãe” em cartas enviadas à Rhavenna e pedindo para que ela guardasse valores e levasse itens para dentro da penitenciária.
"Veja bem, da uma força aí fala para mamãe que tem o rapaz aqui que tá me devendo e que vai levar um relógio e um Pen drive aí, um de filme e louvor. Avisa ela aí, por favor. Fala pra ela aí, porque não tem ninguém aí a não ser vocês pra me ajudar aguarda nesse lugar", diz em trecho da carta.
Nas três cartas mencionadas no documento, os presos identificados como Júlio, Júnior e Escobar a tratavam como “mãe”
Reprodução
No documento, o Ministério Público afirma que as correspondências reforçam a suspeita de que Orminda não teria apenas uma relação religiosa com os presos, mas também exerceria uma função de apoio a integrantes da organização criminosa.
Segundo o MP, os presos entregavam valores e objetos a pessoas de fora da cadeia, que posteriormente fariam o repasse para Orminda ou Rhavenna. A denúncia sustenta que parte desse material teria origem ilícita, embora essa conclusão faça parte da acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda dependa da análise da Justiça.
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Presos chamavam pastora de 'mãe'
Um dos pontos destacados na denúncia é a forma como os remetentes se dirigiam a Orminda. Nas três cartas mencionadas no documento, os presos a mãe da missionária também como “mãe”. Para o Ministério Público, a maneira como os detentos se referiam a Orminda seria um indicativo do grau de proximidade e confiança existente entre eles.
As correspondências também conteriam solicitações para que ela guardasse dinheiro e recebesse objetos destinados aos presos. Na avaliação dos investigadores, os pedidos seriam compatíveis com outras conversas encontradas nos aparelhos celulares e contas de armazenamento em nuvem analisados durante a investigação.
A denúncia afirma que essa dinâmica permitia que objetos e valores circulassem entre pessoas que estavam dentro e fora do sistema penitenciário.
Investigação aponta papel de familiares
Da direita à esquerda: pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, e a filha Rhavenna Barcelos de Almeida
Reprodução
A denúncia apresentada à 7ª Vara Criminal de Cuiabá acusa Orminda, Rhavenna e Renildo Silva Rios de integrar organização criminosa e de envolvimento com lavagem de dinheiro. Outros três integrantes da família (Rhuan Barcelos, Anatany Barcelos e Lo Rhuama Barcelos) foram denunciados por lavagem de dinheiro.
No caso específico das cartas, porém, o Ministério Público destaca principalmente a relação de Orminda com os presos e usa as correspondências como parte do conjunto de provas reunido durante a investigação.
A denúncia ainda será analisada pela Justiça. Os acusados têm direito à defesa e à presunção de inocência até eventual condenação definitiva.